terça-feira, 19 de outubro de 2010

Desordem

Aqui estamos nós
Corpos sem cabeças
Parados e sem relógio
Com palavras mudas
Para cegos surdos

Aqui estamos nós
Corpos sem cabeças
Sem teto sem asfalto
Sem gatos no telhado
Com ratos nos bolsos furados

Aqui vamos nós
Cabeças sem corpos
Com minhocas e buracos
Capital e capitado
Para corpos desgovernados

Aqui vamos nós
Cabeças sem corpos
Palavras cruas pensamento assado
Viva o verde imaculado!
Viva a vida de cabeça para baixo!

Aqui concluímos nós
Seres humanos
Cabeças sem corpos
Corpos sem cabeças
Nada do que fazemos
Compensa o estrago.

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